Sortudo Azarado 1.1

Dizem que algumas pessoas nascem com estrela. Outras, com um poste de iluminação caindo em cima (Sei que ouvi isso em algum lugar).

É nesse mundo que encontramos Rafael, ou simplesmente Rafa, como a maioria o chamava. Mas ele não gostava: um nome que soava forte acabava parecendo fraco, fazendo jus à vida que levava.

Um sujeito modesto, cujas expectativas e realizações logo se convertiam em decepções e tormentos.

Ele era o tipo de sujeito que ganhava um sorteio de supermercado, mas o prêmio era um kit de produtos que não servia para nada. Que encontrava cinquenta reais na rua e logo depois pisava em merda de cachorro. Que chegava atrasado no trabalho, justamente nos dias em que o chefe chegava mais cedo.

Rafa — quem mandou não gostar? — vivia nesse equilíbrio estranho entre a sorte e o azar, como se o universo não conseguisse decidir o que sentia por ele.

Naquela terça-feira, acordou assustado. Ao olhar as horas, percebeu que o celular estava sem bateria. Por algum motivo, o carregador estava fora da tomada, e o alarme não havia tocado. Felizmente, ainda faltavam cinco minutos para a hora de se levantar.

A caminho do trabalho, entrou no ônibus e olhou em volta. Que maravilha: havia vários bancos vagos. Avistou de longe uma moça muito bonita, pensou “me dei bem”, fez um aceno com a cabeça e se sentou ao lado dela. Mas nada aconteceu, nem uma palavra. Para sua sorte ou azar, quando se levantou, percebeu que algo esticava. Passou a mão na bunda e lá estava: um chiclete grudado.

Quando chegou ao trabalho, foi logo pegar um cafezinho para animar o dia. Encheu o copo, mas, ao pegá-lo, atrapalhou-se e deixou o café cair no pé.

E assim seguia o dia do sortudo azarado.

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