Desejos 1.2

Pedro, 35 anos, era um cara tranquilo. Trabalhava em uma boa empresa, e uma das vantagens era a liberdade: entrava e saía quando quisesse, desde que entregasse tudo no prazo — coisa que ele sempre fez.

Mas naquele dia, ao chegar, ficou preso em uma reunião interminável. Não tinha nada a ver com ele, mas participar era uma daquelas obrigações chatas que vinham no pacote.

De repente, sentiu o celular vibrar. Uma, duas, três vezes. Seu comportamento sempre foi exemplar, e mexer no celular ali seria pedir para ser mandado embora.

Mais de uma hora se passou até a reunião finalmente terminar. Quando olhou o celular, viu a mensagem da namorada:

“Você está ocupado? Preciso de uma ajuda urgente na loja. Não pediria isso se não fosse sério.”

Pedro suspirou. “Reunião chata… esse é o único defeito dessa empresa que me tira a liberdade.” Resmungou: “A loja fica perto… quinze minutos de carro. Vou passar lá. Nem vou responder. Chegar de surpresa. Talvez eu saiba do que se trata.”

No corredor, enquanto esperava o elevador, Quenia — que também estava na reunião — apareceu, tocou de leve sua mão e disse:

“Aonde vai? Fugindo da reunião, né? Está sabendo que vai ter outra?”

Pedro fez uma cara feia, sem responder. Ela riu, abriu um sorriso e completou em tom de deboche:

“É brincadeira… e não vai esquecer do que eu te falei.”

Ele respondeu com um sorriso rápido e entrou no elevador.

Ao chegar, viu Bia indo até o caixa. Quando ela se virou e o viu, soltou um suspiro.

“Oi… que bom que veio. Me desculpe, fiz você correr até aqui à toa. Eu consegui resolver o problema. Mas obrigada por se preocupar.”

Pedro pensou: “Sei muito bem o problema que estava tendo. Ela acha que eu não sei de nada.”

Clientes começaram a entrar na loja.

Ele olhou para ela e disse: “Se já resolveu, vou voltar ao trabalho. Nos vemos à noite. Bom trabalho para você.”

Ela retribuiu piscando e mandando um beijo.

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