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Bia, 33 anos, era daquelas mulheres que não dependem de ninguém. Bonita, independente, segura. Mas tinha um ponto fraco: seus desejos vinham como ondas, intensas demais para ignorar. Não gostava de relacionamentos, porém estar em um fazia com que suas fantasias ganhassem uma intensidade maior, quase uma vida própria — como se o errado, o perigoso ou o desafiador amplificasse tudo.
Gerente em uma loja de roupas e acessórios esportivos, naquela manhã estava sozinha no turno. Logo cedo, sentiu o corpo reagir de um jeito que já conhecia — um misto de ansiedade, calor e urgência que a deixava inquieta. Tentou falar com o namorado, mandou mensagem, perguntou o que ele estava fazendo. Não entrou em detalhes, só pediu que passasse na loja. A resposta não veio.
O calor aumentava. Bia respirou fundo, abriu o celular e rolou a tela até encontrar alguém com quem já havia conversado anos atrás, antes do namoro. Não precisava ser atlético, bonito ou especial — precisava apenas estar disponível. Mandou um “oi”. A resposta veio rápido.
Sem rodeios, escreveu: “Você está ocupado? Preciso de uma ajuda urgente na loja. Não pediria isso se não fosse sério.”
Ele respondeu quase no mesmo instante: “Estou por perto. Posso passar aí. Do que se trata?”
Ela só concluiu: “Por favor. Não demore.”
E não disse mais nada.
Dez minutos depois, ele entrou na loja. Para sua sorte, o movimento estava inexistente; nenhuma alma tinha passado por ali naquela manhã. Bia caminhou até a porta de vidro e a trancou devagar, como quem tenta impedir o mundo de entrar.
Sem conseguir disfarçar a ansiedade, segurou o braço dele e o levou até o estoque. Ali, longe dos olhos de qualquer cliente, falou baixo, direta:
“O motivo de eu te chamar é que estou… desesperada. Não me leve a mal. Você foi a alternativa que encontrei.”
Ele ficou surpreso, hesitou por um instante, mas acabou cedendo: “Tudo bem. Estou aqui.”
O que aconteceu ali dentro foi rápido, intenso e silencioso. Não houve conversa, não houve explicações. Só dois adultos lidando com uma urgência que ela não conseguiu controlar.
Quando tudo terminou, arrumaram-se em silêncio. Bia o acompanhou até a porta, abriu, disse um “tchau” seco e voltou ao balcão.
No instante em que se virou, alguém entrou na loja. Ao ver quem era, pensou:
“Agora é tarde.”
